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Blog da LOT

Praças pedem apoio aos vereadores

Sessão Ordinária

O presidente da Associação dos Praças da Polícia Militar de Santa Catarina (Aprasc), subtenente Edson Fortuna, e o presidente da Associação Nacional de Praças (Anaspra), cabo Elisandro Lotin, pediram hoje, durante a sessão, o apoio político dos vereadores de Joinville. Eles querem sensibilizar o governo estadual para a urgência de melhorias na segurança pública e também para a valorização dos policiais, que estão apreensivos com mais uma onda de atentados por pelo menos 20 cidades catarinenses.

O pedido ocorre no dia em que mais um policial militar catarinense foi assassinado, o quarto neste ano, quinto entre servidores da área de segurança pública. Everaldo Campos tinha 42 anos, era cabo da PM e servia à corporação há 19 anos. Ele levou sete tiros dos bandidos enquanto chegava a uma cooperativa de crédito pagar uma conta. O crime aconteceu nesta manhã, em Guabiruba, no Vale do Itajaí.

De acordo com Fortuna, os 5.110 policiais contratados nos últimos seis anos não suprem a carência de efetivo. É que, todos os anos, afirma o presidente da Aprasc, há pelo menos 800 baixas na corporação, seja por aposentadoria, por afastamentos previstos em leis ou porque os policiais resolvem mudar de profissão.

Fortuna adverte também que não é só a falta de policiais e de equipamentos para combater a bandidagem o principal problema na segurança pública em Santa Catarina. O representante dos praças (soldados, cabos e sargentos) aponta a falta de integração das forças de segurança, a morosidade do Poder Judiciário e a saturação do sistema penitenciário como causas concorrentes.

Para o cabo Elisandro Lotin de Souza, presidente Anaspra, "o governo estadual não pode entender segurança pública como gasto, mas, sim, como investimento". A associação estima que, hoje, seriam necessários 20.108 policiais militares para proteger os catarinenses. O efetivo, entretanto, está na casa de 9.500, segundo Lotin.

O presidente da Anaspra disse que quase 300 policiais militares já foram assassinados — só neste ano — no Brasil. "Não somos apenas números. Tem sangue correndo nas minhas veias. Eu já fui vítima de tiro, aqui em Joinville. Somos pais de famílias. Precisamos de respeito e condições de trabalho", Lotin declarou da tribuna do plenário da Câmara.

O vereador Richard Harisson (PMDB) foi o autor do requerimento para que os dois presidentes das associações de praças fizessem o apelo ao longo da sessão desta segunda-feira. Ele disse que todos os vereadores precisam cobrar os responsáveis pela segurança pública no Estado. "A sociedade precisa de ações urgentes. Os praças estão refletindo sobre o juramento que fizeram de proteger e servir", alertou Harisson.

O vereador já apresentou diversas moções de apelo por investimentos na segurança pública em Joinville. Policial de carreira — hoje na reserva — o vereador é também o principal crítico no parlamento municipal do secretário estadual de Segurança Pública, César Augusto Grubba, e da secretaria estadual de Justiça e Cidadania, Ada Faraco de Luca, a quem acusa de fazerem pouco caso da segurança dos cidadãos joinvilenses e da estrutura do complexo penitenciário na Zona Sul.

Segundo Edson Fortuna, o sentimento geral pelos batalhões catarinenses é de tensão. Os policiais têm feito revesamento para proteger não só os cidadãos, por ofício, mas suas famílias e suas casas, por solidariedade entre os colegas.

Para Fortuna, além dos investimentos em efetivo e equipamentos de comunicação e armamentos, é preciso mudar a lei de execução penal e agravar as penas, principalmente para crimes contra a vida e contra policiais. Ele também acredita que, assim como já há na saúde e na educação, é preciso estabelecer em lei um percentual mínimo de investimento em segurança pública.

"O problema de Joinville é o mesmo de São Paulo, do Rio de Janeiro, de Vila Velha, de São Luís. O Estado brasileiro pós Constituição Federal de 1988 abandonou a segurança pública", disse Lotin.

"Esperamos que a sociedade nos respeite e nos dê o respaldo de que precisamos para continuarmos exercendo a nossa profissão", disse Fortuna.

Texto: Jornalismo CVJ, por Felipe Faria. Foto: Sabrina Seibel

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